Monday, May 07, 2007

A Indústria Coméstica

Todos os anos, milhões de animais sofrem e morrem em testes dolorosos para determinar a segurança de cosméticos e produtos de limpeza doméstica. Substâncias que variam de sombra de olho e sabão até produtos para polimento de mobília e limpadores de forno são testados em coelhos, ratos, porquinhos-da-índia, cachorros e outros animais. Isso apesar de os resultados não ajudarem na prevenção de efeitos indesejáveis ou no seu tratamento.

1. TESTE DE IRRITAÇÃO OCULAR (DRAIZE EYE TEST)
Realizado desde 1944, visa avaliar alterações oculares e perioculares provocadas por produtos químicos diversos. Para execução do teste, são colocados 100 mg de solução concentrada de determinada substância nos olhos de um grupo de seis a nove coelhos albinos que não receberam anestesia. O coelho albino é o mais usado pois é dócil, barato e tem olhos grandes, o que facilita a avaliação das lesões. Os coelhos permanecem em caixas de contenção, imobilizados pelo pescoço (muitos o quebram, tentando escapar). Não se usam analgésicos, pois os cientistas alegam que seu emprego altera os resultados. As pálpebras dos animais freqüentemente são presas com grampos que mantêm os olhos constantemente abertos. Embora 72 horas geralmente sejam suficientes para obtenção de resultado, a prova pode durar até 18 dias, quando então o olho do animal se transforma em uma massa irritada e dolorida. Muitas vezes, usam-se os dois olhos de um mesmo coelho para diminuir custos. As reações observadas incluem processos inflamatórios das pálpebras e íris, úlceras, hemorragias ou mesmo cegueira.

Críticas: os olhos do coelho apresentam estrutura e fisiologia diferentes dos humanos. Além de a córnea do coelho ser mais delgada que a nossa (0,35mm contra 0,51mm, respectivamente), suas glândulas lacrimais não são tão eficientes e os coelhos piscam menos). Além disso, têm membrana nictitante (3a pálpebra), que nós não temos. Seu humor aquoso é muito mais alcalino (pH 8,2 contra 7,1-7,3 nos humanos), dificultando a dissolução das substâncias testadas. A leitura dos resultados é muito subjetiva e de baixa confiabilidade, variando de laboratório para laboratório e também de coelho para coelho, não servindo para predizer o que ocorreria no olho humano.

Alternativas: existem mais de 60 métodos, entre eles o Eytex e o Matrex, bem como córneas (animais e humanas) de indivíduos mortos e células corneais mantidas "in vitro".

2. TESTE DE SENSIBILIDADE CUTÂNEA (DRAIZE SKIN TEST)
Para que se realize, depilam-se áreas do corpo do animal, raspa-se a pele (até o sangramento às vezes) e aplica-se a substância a ser estudada. Observam-se sinais de enrijecimento cutâneo, úlceras, edema, etc.


Críticas: é uma prova extremamente dolorosa. É incoerente achar que o protocolo desse experimento sirva para predizer reações em humanos, haja vista as diferentes constituições epidérmicas da pele humana e dos animais (coelhos, roedores, porcos) utilizadas no teste. Não se pode aceitar que resultados de valor científico real podem advir de animais estressados, submetidos à dor e, portanto, em condições totalmente alteradas. As reações imunológicas são características de cada espécie, invalidando o uso de coelhos ou ratos como modelos para o homem.


Alternativas: métodos "in vitro" que empregam culturas de células da pele, tais como Corrositex, Skintex, Epiderm e Episkin.


Vale lembrar que a indústria química também realiza experimentos de toxicidade, como o LD50, para determinar a segurança para os humanos e o meio ambiente dos produtos que lançam no mercado.


3. DL50 (DOSE LETAL 50)
A prova consiste em forçar o animal a ingerir uma determinada quantidade da substância, através de sonda gástrica. Isso muitas vezes produz a morte por perfuração. Os efeitos observados incluem convulsões, dispnéia, diarréia, úlceras, emagrecimento, postura anormal, epistaxe, hemorragias da mucosa ocular e oral, lesões pulmonares, renais e hepáticas, coma e morte. Continua-se a administrar o produto, até que 50% do grupo experimental morra. A substância também pode ser administrada por via subcutânea, intravenosa, intraperitoneal, misturada à comida, por inalação, via retal ou vaginal. As cobaias utilizadas incluem ratos, coelhos, gatos, cachorros, cabras e macacos.


Críticas: o teste pretende medir a toxicidade das substâncias, porém não se constitui em método científico confiável, haja vista que os resultados são afetados pela espécie, idade, sexo, condições de alojamento, temperatura, hora do dia, época do ano e o método de administração da substância.


Alternativas: provas de citotoxicidade, métodos mais precisos e de maior relevância para o homem, pois usam células humanas. Ressalte-se que 70% de todas as reações de toxicidade ocorrem na célula, reforçando o valor dos testes de citotoxicidade.

www.eugostodebicho.com.br

1 comment:

fabio chaves said...

Em breve estarei lançando um site com estampas de coscientização e vegetarianismo.

Posso contar com sua ajuda na divulgação em seu site?

Em troca divulgaria o seu site no meu, que será www.vista-se.com.br

Grande abraço.